World Happiness Report 2025: O legado da pandemia na mudança das conexões humanas

O World Happiness Report 2025 confirma algo que muitos já vínhamos percebendo: a pandemia de Covid-19, com toda a sua dor e isolamento, deixou um legado curioso — o aumento da benevolência.

Por Ana Carolina Peuker

Segundo o relatório, os gestos de generosidade, como doações, voluntariado e até a simples ajuda a estranhos, permaneceram 18% acima dos níveis pré-pandemia. Mesmo com uma leve queda em 2023, os dados de 2024 indicam que esses atos de altruísmo se mantêm significativamente superiores aos registrados entre 2017 e 2019.

Esse dado não é trivial. Ele reflete uma mudança profunda no comportamento humano, revelando que a pandemia despertou uma nova consciência sobre a importância das interações genuínas. Enquanto muitos enfrentavam o isolamento, surgiu uma percepção ampliada de que as relações autênticas são essenciais para o bem-estar, tanto mental quanto físico.

No SXSW 2025 — um dos maiores eventos de inovação, tecnologia e cultura do mundo, realizado em Austin, Texas — essa transformação social ganhou destaque. Durante a abertura do evento, Kasley Killam enfatizou a importância da saúde social, apresentando o conceito de “musculatura social”, que se refere às relações humanas verdadeiras e significativas. Segundo Killam, a crise forçou as pessoas a repensarem o valor de ajudar o próximo, não apenas por necessidade, mas também pelas grandes recompensas emocionais geradas por esses gestos.

Além da benevolência, o relatório também aponta para um desafio crescente: a solidão. Apesar de estarmos mais conectados digitalmente do que nunca, a desconexão real persiste. Por exemplo, o aumento do número de pessoas que fazem refeições sozinhas, especialmente nos Estados Unidos, é um indicativo de como as relações pessoais se deterioraram. Estudos mostram que, em contextos onde a interação face a face é reduzida, os impactos negativos na saúde mental e física se tornam evidentes, aumentando custos com afastamentos e tratamento de problemas relacionados ao estresse.

Esses números e observações reforçam que a dimensão social do bem estar não pode ser vista como um acessório ou uma tendência passageira. Ela é um pilar central para uma vida plena e saudável, integrando dimensões que vão além do físico e do mental. O desafio para o futuro será manter essa onda de benevolência e buscar, de forma ativa, resgatar e fortalecer as conexões humanas autênticas.

Ao transformar gestos altruístas em uma prática constante, a sociedade pode reverter o ciclo de isolamento e construir uma rede de apoio que beneficie a todos. Afinal, quando ajudamos o outro, não estamos apenas fazendo algo bom para eles — estamos, simultaneamente, promovendo nosso próprio bem-estar e contribuindo para uma cultura mais solidária e resiliente.

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